quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Estamos com fome de amor


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: ‘Digam o que disserem, o mal do século é a solidão’. Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos ‘personal dance’, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão ‘apenas’ dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos despreparados por não saber como voltar a ‘sentir’, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamento ORKUT, o número de comunidades como: ‘Quero um amor pra vida toda!’, ‘Eu sou pra casar!’ até a desesperançada ‘Nasci pra ser sozinho!’.

‘Unindo milhares, ou melhor, milhões em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.

Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, é demodé, é brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, ‘pague mico’, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz: ‘Se um problema é grande demais, não pense nele e se é pequeno demais, prá que pensar nele”. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou ser uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer prá alguém: ‘vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida’.

Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Histórias que nos contam na cama, antes da gente dormir.


O sono de Mariana sempre chegava antes do fim da história - A menina andava na beira da praia recolhendo espelhos partidos, conchas amarelas e estrelas de cinco pontas. Chamava-se Ana, a menina de cândida doçura. As ondas induziam cavalos-marinhos a fazerem cócegas nos seus pés. A maré mudava de acordo com o relógio biológico dela. E os pescadores das redondezas costumavam consultar o horóscopo da menina antes de conduzir suas embarcações. Corria a boca pequena que a paixão do Mar por Ana sincronizava o ritmo e o som das águas. Era realmente um atrevimento, um despautério aquele caso de amor. Ninguém concordava ou achava possível que aquilo pudesse ter um final feliz. Num dia de sol e chuva, a menina subiu na pedra mais alta, tirou o relógio e mergulhou nos braços azuis do seu amado. E o encontro de Ana e Mar foi como sal e doce se sobrepondo na mais inesperada combinação. E o sono de Mariana sempre chegava antes do fim, na melhor parte da história que sua mãe insistia em lhe contar todas as noite.


"Ana aproveitou os carinhos do mundo.
Os quatro elementos de tudo.
Deitada diante do mar.
Que apaixonado entregava as conchas mais belas.
Tesouros de barcos e velas.
Que o tempo não deixou voltar.

Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Porque que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar?"

O Teatro Mágico - Ana e o Mar.

O novo homem é uma piada.

Nada contra se cuidar - homem de unha suja, cabelo com caspa ou barriga dura de gordura condensada é um nojo. Também não curto cotovelo lixa que, quando roça em mim, faz esfoliação gratuita. Mas essa história de marmanjo bonitinho demais, cuidado demais, malhado demais, barriguinha dura demais, é um saco. Homem, pra ser interessante, tem que ter algo de desleixado, nem que seja o cabelo mal penteado, a camisa ligeiramente amassada, essas coisas. Neguinho que parece viver pendurado num cabide me dá ganas de enfiar uns sopapos naquela cara lisa pra largar a mão de ser fresco. Aqui vai uma homenagem a essa nova raça transgênica, impecavalmente passada, de modos irretocáveis e sapatos de dois mil reais, os metrossexuais.
Metrossexual não tem pêlo nas costas nem na bunda, faz a unha, limpeza de pele e esfoliação. Adora pulôver de cashmere, camisa 100% algodão egípcio e pára mais em frente a vitrines do que cachorro em poste. Passa gel, pomada, modelador e finalizador no cabelo, entende de decoração e acha bárbaro demonstrar sentimentos em público. Metrossexual é sensível, culto, refinado e adora comer uma gostosa.
Tá vendo como não combina?! Não dá pra tirar a sobrancelha e curtir apalpar uns peitos (só no caso das lésbicas). O tal "novo homem" é o desgosto do avô, coitado. O velho vivia na época em que homem que era homem só tomava banho e mandava a mulher cortar as unhas dos pés dele. Agora tem que presenciar o neto com cabelo tingido e a cara descascando depois do peeling. O tal do "novo homem" tá tão veadinho que se bobear, vira a Luciana Gimenez: lindo, sorridente e com tanto QI quanto uma almôndega congelada.
Eu, por princípio, não transo com homem que tenha uma necessaire maior que a minha. Aliás, gosto mesmo é de macho que desconheça completamente qualquer marca de creme anti-rugas, compre revista pornô, ame mortadela, odeie cinema de arte e, de preferência, não entenda picas de vinho - esse sim, passou a vida aprendendo o que existe de mais importante: a traçar direito uma mulher.

Ailin Aleixo

Quanto tempo você consegue ficar sem?



Mel e Girassóis

O cheiro dele era tão bom nas mãos dela quando ela ia deitar, sem ele. O cheiro dela era tão bom nas mãos dele quando ele ia deitar, sem ela. O corpo dela se amoldava tão bem ao dele, quando dançavam. Ele gostava quando ela passava óleo nas suas costas. Ela gostava quando, depois de muito tempo calada, ele pegava no seu queixo perguntando ― o que foi, guria? Ele gostava quando ela dizia: sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você. Ela gostava quando ele dizia: gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo. E de quando ele falava: calma, você tá tensa, vem cá, e a abraçava e a fazia deitar a cabeça no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito. Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia boba, você não passa de um menino bobo.

Caio Fernando Abreu.

E amanhã tem mais.

Feriado prolongado uma vez na vida também faz muito bem pra saúde. É bom largar as obrigações de lado um tempinho e relaxar. Não que eu ande estressada, sabe? Eu só fico estressada por não fazer nada. Mas voltando ao assunto. Feriado faz bem. Ainda mais quando a pessoa que você tanto ama resolve tirar uns dias pra compensar você por todos os outros dias de saudade que você é obrigada a passar. Arrumar a mochila rapidinho e ir pra um lugar bem longe, sem ninguém, sem sinal no celular, sem internet, só os dois. As vezes eu até acho que eu poderia viver assim a vida todinha, mas só as vezes. Dormir junto, acordar junto. Essa foi a vida que eu sempre pedi à Deus. Era uma sensação tão gostosa que enquando eu assistia ao sono dele eu agradecia e repetia como se fosse um feitiço: é meu, é todo meu, só meu. E quando acordar ficar de "conchinha" e amar (amar como eufemismo para sexo) antes do café da manhã. Se me pedissem pra definir o amor eu diria que o amor é fazer amor todo dia antes do café da manhã. E eu só pensei nisso agora. Sabe quando você passa muito tempo junto e ao invés de bastar, você sabe que nunca é o suficiente. Pois é. Ai você acorda e vai direto pro telefone, com aquela voz de sono ainda, já pra combinar de se ver de novo. E logo. "Vê se não demora". Pra fazer alguma coisa, ou não fazer absolutamente nada. E gostar, o que é melhor de tudo. Ir à praia ou a piscina pra ver se ele perde essa corzinha de escritório, brincar de abc com seu irmão, assistir bobagens na televisão em família, ver um filme e ficar fazendo comparações com a gente. Enfim, eu vou dormir agora porque amanhã ainda é feriado, sabe? E amanhã tem mais.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

tenho sorte.


" Tem pai que ensina o filho a não ter medo das coisas e talvez essa seja uma pequena mágoa que guardo da minha família. Eu fui criada pra ter medo de tudo: de coxinha de padaria à viagens solitárias pela Europa. Não me deixavam brincar muito na rua, nadar sozinha no mar, comer besteiras na cantina da escola. O resultado disso é que até hoje passo um pouco de vergonha quando viajo com amigos e faço análise há anos pra aprender a ficar menos tensa com a vida lá fora. Em compensação, tenho uma coragem absurda e uma curiosidade profunda a respeito da minha vida de dentro. E me pergunto: quantos pais ensinam isso a seus filhos? Tive sorte.. Ele não me ensinou a comer pastel de feira e nem a dar um mortal na piscina. Talvez porque ele próprio tivesse medo dessas coisas, talvez porque quando um filho é único, você redobra os cuidados. Mas ele me ensinou a inventar um mundo rico, enorme e possível dentro da minha cabeça. Me ensinou a viver com coragem dentro de mim, a ser amiga e ouvinte dos neurônios, fígado, coração e entranhas. Tenho certeza que comecei da maneira mais difícil. É mais corajoso quem não tem medo de voar pelo mundo ou quem aguenta ficar dentro de si? Me sinto boba perto dos meus amigos que contam cicatrizes de esportes, meu pai sempre me disse pra tomar cuidado na aula de educação física. Mas me sinto um gênio quando vejo tanta gente que perde um dia inteiro pra escrever um simples e-mail sentimental ou não sabe o que dizer numa conversa mais íntima. Ele me deu a capacidade de sonhar, o resto do mundo agora é comigo."

Trechos do texto "O príncipe azul" de Tati Bernardi. *.*

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O que eu descobri.

Descobri a falta que você me faz, o problema que você me traz, descobri que nem tudo é fácil pra mim. Descobri que a minha falta de ar, É A FALTA DE VOCÊ!
Descobri que por mais que o tempo não pare, eu sempre tento esticá-lo quando estou ao seu lado. Descobri que saudade não é necessário muito tempo longe para senti-lá; que o seu amor não é o que eu quero, mas o que eu preciso; que você cada dia faz mais parte de mim do que eu mesmo sou, tem mais de você em mim do que qualquer outra coisa. Descobri que eu me engano, mas que eu te amo, e isso eu já descobri faz muito tempo, e sei que nunca vai mudar!


Pelo menos aqui ele tá guardadinho e ninguém mais apaga ele. (:

nada é muito quando é demais.


Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde.Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.

Caio F.